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sábado, maio 31, 2008

Maio68 (III) – a Greve Geral

Ao contrário do que diz Eduardo Lourenço : «aquilo foi uma coisa espontânea (…) mais importante que uma revolução», se deixarmos de lado a retórica e atendermos simplesmente aos factos, parece-nos hoje evidente que se tratou de um conjunto de acções pré-determinadas com a finalidade objectiva de destruir a hegemonia que o Partido Comunista (PCF) detinha sobre a esquerda em França à época: mais de 30 por cento das intenções de voto. Como? Com clichés de filhas de ricaços em fotografias de pose estudada, cartazes todos criados pelo mesmo designer numa mesma agência de comunicação, enfim, influência determinante dos “novos filósofos” activistas, (por mero acaso ambos judeus?) Daniel Cohn-Bendit e Bernard-Henry Levy (que hoje frequenta os salões dos homens mais ricos da côrte Sarkozy) - depois de lançados os rastilhos para a arena as coisas seguiram o seu caminho normal: como no judo se aproveita a força do adversário para o derrubar, aproveitou-se a própria filosofia politica do PCF que, como partido revisionista, procurou controlar a situação “em defesa da ordem”, isto é, aliando-se na prática aos valores mais caros à direita conservadora.

Quando as manifestações e as greves começaram a incomodar a população com falhas no abastecimento de víveres e combustíveis e a desordem aparente parecia começar a gerar o fim de um modelo capitalista e o inicio de uma nova ordem, o General De Gaulle desapareceu durante uma semana, reuniu na Alemanha com o Estado Maior da Nato que lhe prometeu todo o apoio e regressou a Paris – no dia 28 de Maio tinha uma grande manifestação na rua com cerca de 800 mil pessoas reclamando Ordem, dispostas a acabar com a “chienlite” – na gíria típica do General qualquer coisa traduzível como
“a malta-que-come-e-caga-na-cama”

“Uns jovens interessantes, embora um tanto ou quanto estouvados, erguendo barricadas e lançando pedras à polícia em nome de ideias generosas mas completamente impraticáveis” - eis como o Maio de 1968 tem sido frequentemente apresentado na avalanche de artigos e conferências que celebram os quarenta anos passados sobre o acontecimento. Muitos comentadores simpatizam com esse movimento na medida em que o consideram utópico e, portanto, inofensivo. Simpatizam mais ainda quando só vêem estudantes envolvidos, cujos protestos e desordens não punham directamente em perigo a base económica do sistema. Mas Maio de 68 não foi um movimento utópico, foi um movimento derrotado - o que é uma coisa completamente diferente. Durante a fase inicial, restrita ao meio estudantil, a questão da exploração dos trabalhadores parecia ser determinante; vejamos uma sinopse dos acontecimentos,

Os estudantes liderados por Cohn-Bendit, ocupam, a 22 de Março de 1968, os serviços administrativos em protesto contra a prisão de activistas anti-guerra do Vietname. Começou assim o “Movimento 22 de Março”, uma das organizações mais expressivas da época, composta fundamentalmente por maoistas e libertários (frequentemente também por “katangueses”, estranhos que se infiltravam em comícios e manifs com o objectivo de as fazer degenerar em cenas de violência), proclamando num panfleto a 4 de Maio: «Nós batemo-nos […] porque recusamos tornar-nos: - professores ao serviço da selecção no ensino, selecção feita à custa dos filhos da classe operária, - sociólogos fabricantes de slogans para as campanhas eleitorais governamentais, - psicólogos encarregados de fazer “funcionar” as “equipas de trabalhadores” segundo os interesses superiores dos patrões, - cientistas cujo trabalho de pesquisa será utilizado de acordo com os interesses exclusivos de uma economia de lucro. […] Recusamo-nos a melhorar a universidade burguesa. Queremos transformá-la radicalmente para que de agora em diante ela forme intelectuais que lutem ao lado dos trabalhadores e não contra eles […] Queremos que os interesses da classe operária sejam defendidos também na universidade».
Num panfleto emitido a 6 de Maio, o Movimento do 22 de Março afirmou que «os estudantes utilizam de agora em diante os métodos de luta dos sectores mais combativos da classe operária». A data evocada neste panfleto, 13 de Maio, marcou uma ampliação decisiva do movimento, porque começou nesse dia a maior greve geral da história da França, que chegou a mobilizar entre 9 e 10 milhões de grevistas.

A greve geral

Estava convocada para 13 de Maio uma manifestação que reuniu cerca de um milhão de pessoas, a maior realizada até então em Paris, onde se operou a junção entre estudantes e trabalhadores. À frente ia uma faixa proclamando «Estudantes, professores, trabalhadores solidários», e o facto mais significativo é que esta faixa só pôde encabeçar o cortejo depois de várias escaramuças entre os estudantes e os dirigentes da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical, hegemonizada pelo Partido Comunista, que era francamente oposto à luta estudantil e a qualquer tentativa de aproximação entre estudantes e trabalhadores.
Durante esta manifestação a CGT tentou enquadrar os trabalhadores e impedi-los de contactarem com os estudantes, mas não o conseguiu e os estudantes inseriram-se no cortejo operário. Estava anunciado o tema das semanas seguintes, porque enquanto durou a greve geral os estudantes tentaram repetidamente ligar-se aos trabalhadores na acção prática e os dirigentes da CGT fizeram tudo o que podiam para impedir essa convergência.

A 16 de Maio cerca de mil estudantes dirigiram-se às grandes fábricas Renault de Billancourt, que se haviam juntado à greve, e a CGT opôs-se ao contacto dos estudantes com os operários com o curioso argumento de que «recusamos qualquer ingerência externa». A solidariedade era apelidada de «ingerência». No dia seguinte numerosos estudantes regressaram à Renault-Billancourt, e de novo a CGT os impediu de conviver com os grevistas. Esta obstrução não fez desistir os estudantes mais radicais, que continuaram a procurar a ligação com as empresas em luta. A Moção Política Geral aprovada na Assembleia Geral realizada na Sorbonne a 20 de Maio considerou «que o objectivo político é o derrube do regime pelos trabalhadores e que a ocupação [das Faculdades] deve ser realizada nesse quadro político; que, com efeito, o ensino só corresponderá às necessidades da população quando esta tiver realmente derrubado o poder capitalista; que não podendo a remodelação da universidade ser concebida fora deste quadro, ela não deve, por conseguinte, ser prosseguida somente pelas pessoas que aí trabalham hoje, mas pelo conjunto dos trabalhadores» e concluiu recordando que «a tarefa essencial dos estudantes é ligarem-se ao combate da classe operária contra o regime».

Nesta perspectiva, a 31 de Maio um comunicado da Coordenação dos Comités de Acção, um organismo estudantil de base, insistiu: «A nossa força reside nas ocupações de fábrica». E a 1 de Junho um comunicado da UNEF incitou os estudantes a dirigirem-se às fábricas em greve da Renault e da Citroën. Em 6 de Junho 4000 polícias fortemente armados ocuparam as fábricas Renault em Flins e expulsaram os piquetes de greve. No dia seguinte numerosos estudantes mobilizados pela UJCm-l e pelo Movimento do 22 de Março foram apoiar os piquetes estacionados nas ruas e estradas de acesso às fábricas. A central sindical CGT denunciou então os bandos «organizados militarmente» que «intervieram» em Flins, referindo-se não aos polícias mas aos estudantes.
Por fim, os movimentos de extrema esquerda seriam ilegalizados em França, e o Partido Comunista perdeu a força eleitoral, degenerando no híbrido "euro-comunismo", até se converter politicamente num resíduo não reciclável. (continua)

Brigitte Bardot e "o amigo americano" no Festival de Cannes
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sexta-feira, maio 30, 2008

petróleo, especulação dos decisores internacionais, a energia nacional e "lucros decentes"

António Vilarigues no Público: "em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal eram superiores aos cobrados na maioria dos paises da União"
(clique no recorte para ampliar)

Os reformistas do PCP com acesso aos Media de referência apresentam aos consumidores nacionais o problema da inflação nos combustíveis como se ele tivesse origem avulsa na especulação das companhias que exploram o mercado retalhista em Portugal. Este detalhe é verdadeiro, porém a explicação é insuficiente (como mencionado no post anterior). Faz-se referência ao preço internacional do petróleo determinado na bolsa de Roterdão, mas, salvo uma breve e vaga alusão aos "fundos de investimento especulativo no mercado", continua-se a não mencionar (ignorar) que existe um monopólio global empresarial (as "7 Irmãs" que actualmente são apenas 4 supercompanhias petrolíferas) instituido e coordenado pelos governos e sistemas bancários do centro capitalista que utilizam a inflacção concertada para financiar os custos da dominação Imperial sobre o resto do mundo.

"Para que se possa ficar com uma ideia como a GALP, e as outras petrolíferas estão-se a aproveitar da situação, é necessário que ter presente o seguinte. Os combustíveis que as petrolíferas vendem em cada dia foram produzidos com petróleo adquirido entre dois a três meses antes (num estudo anterior referimos 3 meses, mas uma investigação feita por nós levou à conclusão, para sermos mais rigorosos, que o período médio varia entre 2 a 2,5 meses)"
Eugénio Rosa, Economista, em "O Diário", reportando-se a dados oficiais da Direcção-Geral de Energia

"A GALP acabou de apresentar publicamente as contas referentes ao 1º Trimestre de 2008. E por elas ficamos a saber que esta petrolífera obteve, só no 1º Trimestre de 2008, 175 milhões de euros de lucros líquidos, ou seja, mais 22,4% do que em idêntico período de 2007. E isto quando são exigidos tantos sacrifícios aos portugueses. Mas ainda mais grave, é que 69 milhões de euros desses lucros, que é o triplo do valor registado em 2007 (+ 228,6%), que foi de 21 milhões de euros, resultaram da especulação do preço do petróleo no mercado internacional(...)
Para calcular os preços de venda dos combustíveis, as petrolíferas recolhem os valores dos preços dos produtos refinados (gasolina, gasóleo, etc.) no mercado de Roterdão em cada semana, depois calculam a média em relação a cada produto, e é o valor assim obtido para cada um dos produtos que é o preço, sem impostos, a que vendem os combustíveis em Portugal. É evidente que esse preço de Roterdão, que não é determinado pelos custos suportados pelas petrolíferas portuguesas, incorpora a especulação que se verifica todos os dias no mercado internacional do petróleo, determinada pela entrada maciça dos fundos de investimento nesse mercado, com o objectivo de, controlando a oferta, como estão a fazer, imporem preços especulativos e, consequentemente, embolsarem gigantes lucros (...).
Os preços de Roterdão devem funcionar apenas como limite máximo, para obrigar as petrolíferas a serem eficientes, em relação aos preços que as petrolíferas podem cobrar pela venda dos combustíveis em Portugal. No entanto, o cálculo dos preços deverá respeitar o que a generalidade das empresas são obrigadas fazer, ou seja, cobrir os seus custos efectivos e adicionar uma margem decente de lucro"
(via O Castendo)

e já agora, concretamente, num "sistema mentiroso de mercado livre" cuja análise radical só o pode classificar como imoral senão mesmo criminoso, o que significa a expressão "lucro decente"?
pensam mesmo que este sistema é reformável?

Documentos de 2005 provam que os 4 Chefes das Petrolíferas (Lee R. Raymond da Exxon Mobil, David J. O'Reilly da Chevron, James J. Mulva da ConocoPhillips, Ross Pillari da BP America e John Hofmeister da Shell Oil) se reuniram previamente com o vice presidente americano para concertar a presente política"
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Boicotes e Lobies - a Shell-British Petroleum

a séde da multinacional em Haia ocupa um quarteirão inteiro,
movimenta muito mais valores, interesses e
número de funcionários que muitos Estados nacionais

O gigante grupo petrolífero anglo-holandês Shell-BP obteve em 2007 superlucros na ordem de 18,5 mil milhões de euros. Nunca antes uma empresa europeia tinha acumulado tantos lucros. A multinacional beneficiou da alta do preço do petróleo, que duplicou. Enquanto por aqui os consumidores se atarantam em redor do carnavalesca representação do gag da “especulação dos retalhistas” e da conversa fiada dos ministros (Luis Amado afirmou hoje que uma das causas do aumento*** é a situação no Médio Oriente e a luta contra o terrorismo) quem determina na realidade os preços, inventa inimigos a quem se pode culpar pelo estado das coisas e domina as estratégias nas economias ocidentais?

A chegada da Shell-BP a uma situação radiosa numa Europa em crise, passa-se um ano depois de 2006 quando reuniu em Otava no Canadá o Grupo Bilderberg que junta em conclave secreto em cada ano a nata da economia e da politica mundial: o vértice da administração Bush, a direcção da Reserva Federal Americana, do Crédito Suiço, e da Rothschild Europe, da Coca-Cola, Philips, Unilever, Time-Warner, AOL, Tyssen-Krupp, FIAT, generais da NATO, Henry Kissinger, altos quadros da ONU, Banco Mundial, União Europeia, uma chusma de vários ministros avulso de paises ocidentais e, centre-se a atenção pelo que está a acontecer agora: o poderoso Paolo Scaroni que gere o grupo petrolífero Shell, BP e ENI -

Tantas altas personalidades juntas, uma reunião tão importante e no final divulgaram um comunicado que cabe numa folha A4
– há dois anos os assuntos realçados recairam nos sectores básicos objecto de estudo e definição de acção para o futuro: a Energia à cabeça, Irão, Médio Oriente, Terrorismo, Imigração Rússia e Ásia, (*** hoje Luís Amado, certeiro como um fuzo “acertou” nos itens mais importantes)

Devido à gravidade da situação actual este ano tem sido particularmente difícil descobrir onde será o conclave Bilderberg, um autêntico super-governo mundial que actua na sombra. Mas graças à informação veiculada pela rede Tlaxcala parece certo que a reservadíssima reunião da élite económico-politica terá lugar de 5 a 8 de Junho no luxuoso hotel Westfields Marriott em Chantilly na Virgínia, pertíssimo de Washington D.C., a verdadeira sede do centro de decisão capitalista global. (Tanto assim que a maior petrolifera mundial, a americana Exxon-Mobil (detentora da marca ESSO que em 2006, teve lucros de 39,5 biliões de dólares, ultrapassando o seu próprio recorde mundial de 36,1 biliões em 2005) está acima da participação no Bilderberg, que é tutelada pela Comissão Trilateral.

A escandalosa obtenção de lucros nos sectores chave monopolistas de Estado, que depois são aplicados antidemocraticamente sabe deus onde, já subiu aos patamares acima dos consumidores, começando já a provocar a revolta dos pequenos accionistas que investiram na Shell e se recusam continuar a suportar os elevadissmos salários dos gestores nomeados para o grupo. Segundo o Financial Times está previsto para este ano que os executivos desta companhia recebam adicionalmente 1 milhão de euros só como incentivo para renovarem os seus contratos pessoais com a companhia.

Visto cá de casa, como é sabido, e vá-se lá a saber porquê, o dono do Expresso, (guess why?), Francisco Pinto Balsemão como convidado de referência faz o pleno desde há 30 anos (como membro do secretariado) nas reuniões Bilderberg. Em 2006 outros dois portugueses estiveram presentes a convite de Balsemão: o ministro Augusto Santos Silva e o qualquerCoisa Aguiar-Branco – deve-se a esta última obscura personagem o tiro de partida para a peixeirada em curso no PSD para a tentativa de renovação da direita portuguesa face ao esgotamento do assalto SS (socrático-“socialista”) aos direitos sociais adquiridos no país. Saiba-se quem são os dois convidados ao Bilderberg 2008 e estaremos em presença das personagens que irão influenciar decisivamente o país nos próximos anos. Entretanto, vai alto o alarido - façam boicotes aos pobretanas retalhistas das bombas de gasolina, ou à subserviente Galp,

constrangidos votem, votem e revotem, mas a decisão mais acertada e eficaz seria a dos "cidadãos-vítima", reduzidos a meros consumidores dependentes de organismos e concílios não democráticos, deixarem de ver de uma vez por todas os canais televisivos da SIC (iluminados por uma vez em simultâneo como os cegos do Saramago) e pour cause, abandonar em definitivo a leitura do Expresso, o pasquim do regime.

quinta-feira, maio 29, 2008

dia dos vizinhos

A depreciação do mundo dos homens aumenta na razão directa da valorização do mundo das coisas
Karl Marx,1844

Celebrou-se ontem um pouco por todo o lado o “Dia Europeu do Vizinho” – dizem que hoje em dia as pessoas são capazes de se relacionar pela Internet com todo o bicho careto australiano, marroquino ou astrakaniano, mas que, na vida real, são incapazes de passar pevide ao vizinho do lado. Mas, para certos vizinhos desta laia, pelo menos aqui pelo popular bairro da Graça as coisas não são tanto assim:

relacionado: "O modo lúmpen de estar no mundo"
(Agência Carta Maior)

quarta-feira, maio 28, 2008

uns intelectuais impensáveis

Quem hoje sacar a folha que capeia o Público do resto do pasquim e a escancarar de par em par,

vis a vis a pagina 2 com a 47, tem duas surpresas – à esquerda, uma jovem que protesta, a propósito do espólio sacado através dos combustíveis, contra os “ladrões de auto-estradas” e mesmo ao lado o famigerado Barroso, que escreve uma redacção sobre um obscuro “intelectual que todos deveríamos apreciar no debate civilizado de ideias”.

Não se faz a mínima de quem seja esse de tal Carlos Espada, o elegiado, mas para o ser pelo Barroso, que esse sim, conhecemos de gingeira como “puppy intelectual bushista”, é porque o homem de certeza não presta. Cheira-me que seja um desses obcuros portugueses que se notabilizam no guiness por enfardar não sei quantas catadupas de pastéis de nata à borla pagos pela confraria de Belém, mas como no concurso do Malato, não estou certo.

Olha que dois. Para conferir alguma credibilidade à subida ao mesmo limbo scolariano “da figura pública” retrata-se o mânfio tendo como pano de fundo um emoldurado Churchill, o último maratonista da libra de ouro. Divertido, não? – porém a pouca vergonha desaba em desvergonha completa quando o Durão se enfia pela citação de personagens que justifiquem “a ruptura (destes pândegos) a favor dos direitos de cidadania” – que puta de aldrabice! – citando: “o acto de ruptura exige, normalmente, um porto de abrigo. (é mesmo em Belém) João Carlos Espada encontrou-o no pensamento liberal clássico, onde chegou através de três dos maiores autores do século XX, Popper; Schumpeter e Aron. Mas este tipo de remédios estragados têm explicação honesta:

As revoluções científicas de Thomas S. Kuhn

A teoria central de Kuhn é que o conhecimento científico não cresce de modo cumulativo e contínuo. E assim se passa também, no caso em apreço, com as práticas políticas dominantes adquiridas e instaladas. Ao contrário, esse crescimento é descontínuo, opera por saltos qualitativos, que não se podem justificar em função de critérios de validação do conhecimento científico. A sua justificação reside em factores externos, que nada têm a ver com a racionalidade científica e que, contaminam a própria prática científica. A importância atribuída por Kuhn, aos factores psicológicos e sociológicos na organização do trabalho científico, constitui um rude golpe na "imagem da ciência que se foi consolidando desde o século XVIII e que tende a identificar a cientificidade com a racionalidade - senão com a racionalidade «no seu todo», pelo menos com a racionalidade «no seu melhor»." A obra de Kuhn desencadeou um autêntico terramoto na filosofia da ciência e inaugura um discurso inovador, que privilegia os aspectos históricos e sociológicos na análise da prática científica, desvalorizando os aspectos lógico-metodológicos que ainda encontramos no discurso epistemológico popperiano.

Os saltos qualitativos preconizados por Kuhn, ocorrem nos períodos de desenvolvimento científico, em que são questionados e postos em causa os princípios, as teorias, os conceitos básicos e as metodologias, que até então orientavam toda a investigação e toda a prática científica. O conjunto de todos esses princípios constituem o que Kuhn chama «paradigma». Procurando ser fiel ao autor, utilizamos o conceito de paradigma em dois sentidos fundamentais. Num sentido lato, o paradigma kuhniano refere-se naquilo que é partilhado por uma comunidade científica, será uma forma de fazer ciência, uma matriz disciplinar. Uma comunidade científica caracteriza-se pela prática de uma especialidade científica, por uma formação teórica comum, pela circulação abundante de informação no interior do grupo e pela unanimidade de juízo em assuntos profissionais. Em sentido particular, o paradigma é um exemplar; é um conjunto de soluções de problemas concretos, uma realização científica concreta que fornece os instrumentos conceptuais e instrumentais para a solução de problemas. O paradigma é, neste sentido, uma «concepção de mundo» que, pressupondo um «modo de ver» e de «praticar», engloba um conjunto de teorias, instrumentos, conceitos e métodos de investigação; noutro caso, o conceito é utilizado para significar um conjunto de «realizações científicas concretas» capazes de fornecer "modelos dos quais brotam as tradições coerentes e específicas da pesquisa científica"."Assim, a descrição de Newton do movimento dos planetas (Lei da Gravitação Universal), ou a descrição de Franklin da garrafa de Leyden são, respectivamente, exemplos de paradigmas para a prática da mecânica e para a ciência da electricidade. Kuhn também designa estes «modelos concretos» como «modelos exemplares».

O desenvolvimento da ciência madura (ou da politica) processa-se assim em duas fases, a fase da ciência normal e a fase da ciência revolucionária. A ciência normal é a ciência dos períodos em que o paradigma é unanimamente aceite, sem qualquer tipo de contestação, no seio da comunidade científica. O paradigma indica à comunidade o que é interessante investigar, como levar a cabo essa investigação, impondo como que um sentido ao trabalho realizado pelos investigadores e limitando os aspectos considerados relevantes da investigação científica. O grupo limita-se a resolver um conjunto de incongruências que o paradigma lhe vai fornecendo, toda a investigação é realizada dentro e à luz do paradigma aceite pela comunidade. Nesta fase da ciência normal, o cientista não procura questionar ou investigar aspectos que extravasam o próprio paradigma, devemos dizer que a curiosidade não é propriamente uma característica do cientista, este limita-se a resolver dificuldades de menor importância que vão permitindo mantê-lo em actividade e que possibilitam simultaneamente revelar a sua engenhosidade e a sua capacidade na resolução dos enigmas. "Os problemas científicos transformam-se em puzzles, enigmas com um número limitado de peças que o cientista - qual jogador de xadrez - vai pacientemente movendo até encontrar a solução final. Aliás, a solução final, tal como no enigma, é conhecida antecipadamente, apenas se desconhecendo os pormenores do seu conteúdo e do processo para a atingir".Deste modo, o paradigma que o cientista adquiriu durante a sua formação profissional fornece-lhe as regras do jogo, descreve-lhe as peças a utilizar e indica-lhe o caminho ou objectivo a atingir. É evidente que o cientista, nas suas primeiras tentativas, pode cometer falhas, o que é perfeitamente natural, no entanto, tal facto é sempre atribuído à sua impreparação ou inépcia. Isto significa, que as regras fornecidas pelo paradigma e o próprio paradigma, não podem ser postas em causa, já que o paradigma é o sentido de toda a investigação e o próprio enigma a investigar não existiria sem ele.

Esta crença exacerbada no paradigma, demonstra-nos que "o trabalho do cientista (ou do politico) exprime uma adesão muito profunda ao paradigma". É evidente que uma adesão deste tipo não pode ser posta em causa ou ser abalada levianamente. A própria comunidade, na sua prática quotidiana, vai reforçando essa adesão a todo o momento. O que a experiência claramente demonstra, é que o cientista, individualmente ou em grupo, vai conseguindo resolver os enigmas, com maior ou menor dificuldade, à luz do paradigma vigente. Neste sentido, não devemos ficar admirados com a profunda resistência manifestada pela comunidade à mudança de paradigmas. O cientista, não está minimamente interessado em provocar um abalo, na estrutura do edifício que de certa forma o "alberga" e dá sentido ao seu trabalho profissional. O cientista é humano; a protecção, a confiança e de certo modo a segurança, são condições que todo o ser humano deseja alcançar. Todas estas condições, são fornecidas ao cientista pelo paradigma. "O que eles defendem nessa resistência é afinal o seu modo de vida profissional"
ler o resto:
"Ao cientista, (ou politico) «normal» pode suceder que o problema de que se ocupa, não só não tem solução no âmbito das regras em vigor, como tal facto não pode ser imputado à impreparação ou inépcia do investigador"
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o sistema irracional da teta mecânica

“Ainda há pouco menos de cinco anos, a União Europeia debatia-se com o problema dos excedentes leiteiros, gastando fortunas para conservar as toneladas de produtos lácteos que não se vendiam. Vieram as medidas restritivas, (que como é sabido prejudicaram enormemente os produtores dos Açores) com a imposição à produção leiteira de quotas cada vez mais baixas, de que sairam beneficiados os paises responsáveis pelos excessos – Holanda, França, Alemanha, Itália.
Agora chegou-se à situação contrária. As medidas restritivas levaram à falta de leite na União Europeia. Os preços começaram a subir e a Comissão Europeia decidiu aumentar as quotas de leite a partir de 1 de Abril, com o objectivo de fazer baixar o seu preço, de acordo com os interesses dos grandes produtores do centro da Europa, enviando assim para a ruína mais umas tantas pequenas produções dos paises periféricos”. (in Politica Operária, Abril 2008)
Depois da Itália em Março passado, os produtores agro pecuários iniciaram hoje uma greve na Alemanha pelo aumento dos preços do leite.
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terça-feira, maio 27, 2008

quem lucra com o Choque Petrolífero

O galão de gasóleo nos EUA = 2,5 litros, aumentou para os 4 dólares - equivale a 1,60 dólares por litro; 1 dólar equivale a 0,63 cêntimos de euro. Fazendo a conversão da moeda, nos EUA compramos 1 litro com 1 euro
como na Europa 1 litro custa cerca de 1,40 euros, quer dizer que,
aqui estamos a pagar o gasóleo 40 por cento mais caro
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The International Finance Corporation (IFC)

Quando vemos a tenrinha Joana Amaral Dias endossar à especulação do mercado livre as culpas no cartório pelos sucessivos aumentos dos combustíveis não podemos senão sorrir: “os preços não param de subir ao contrário do prometido aquando da sua liberalização. Trata-se do resultado de uma grosseira especulação das petrolíferas, perante a complacência deste Governo” - “deste governo”?! santa ingenuidade – desde o tempo da Standard Oil fundada por (John D.) Rockefeller que a indústria petrolífera norte americana detém o monopólio mundial no controlo da produção, empresa que seria desmantelada em 1911 “por práticas monopolistas” mas logo habilmente pulverizada nas famosas “Seven Sisters” que (agora são apenas 4 supercompanhias) haveriam de perpetuar globalmente por mais de um século as mesmas práticas em estreita colaboração com as entidades bancárias federais norte-americanas e respectivos gestores politicos de ocasião. Ainda que ficticiamente disseminadas, essas mesmas práticas mantêm-se. Com a crise petrolífera de 1973 e a desregulamentação financeira do dólar os Estados Unidos puderiam, se fosse esse o destino dos lucros, pagar mais três ou quatroguerras do vietname”, o que significou, como alternativa, a ingerência interna continuada em paises terceiros para assegurar o aceso à matérias primas em condições privilegiadas. A culpa da nova crise petrolífera de 2008 e a necessidade de financiar os novos empreendimentos guerreiros é do “mercado livre”? sim,,,

Fundada em 1956 a Corporação Financeira Internacional (IFC) é o braço do sector privado do Banco Mundial. Originalmente aquela organização foi criada para ajudar os pequenos e médios negócios em nações com viabilidade de desenvolvimento, as quais muitas vezes tinham problemas em conseguir fundos de investimento porque os investidores os viam como demasiado arriscados. O IFC avalia as possibilidades de sucesso desses investimentos em função dos lucros, e não segundo quaisquer outros critérios de efeitos positivos ou negativos que determinado projecto possa ter ou das diferentes espécies de povos afectados em determinada comunidade. Em geral não se lideram os investidores, mas direccionam-se para “mercados em desenvolvimento seguros” apoiando de preferência, como seria de esperar, os “sindicatos” de tubarões bilionários e as corporações multinacionais que fazem o seu caminho para se converterem em monopólios cada vez mais concentrados e poderosos.
Em 2004 os 10 maiores países “agraciados” com projectos privados do IFC receberam mais de metade do dinheiro disponível, enquanto os 10 maiores projectos absorveram uma quarta parte do total dos financiamentos. Estes projectos estão concentrados em nações emergentes onde já existiam outros financiamentos privados, sendo estes a maior parte das vezes patrocinados por corporações como a cadeia Hilton ou as petrolíferas Chevron ou Exxon-Mobil.
Um dos exemplos mais conhecidos data de 2005 quando o IFC deu 2,5 biliões de dólares a uma companhia canadiana para um projecto impopular, violento e desestabilizador, as minas de ouro Marlin na Guatemala, não explicando como este beneficiaria o desenvolvimento, não levando em linha de conta o comportamento inadequado sobre o ambiente, nem sequer consultando os organismos responsáveis pela emissão de estudos ambientais, requeridos por lei e por tratados internacionais. Em terra de pobres quem tem olho de rico será rei?

por estas e por outras é que nos dá um gozo extraordinário entrar no átrio do Hotel Havana Livre (na capital de Cuba) e ver as fotografias dos revolucionários emolduradas nas paredes lembrando, em 1959, o dia seguinte da chegada à cidade, “acampados” no meio no meio do átrio de entrada de armas bagagens e tendas de campanha. Fidel Castro faria ali o posto de comando provisório da Revolução. Quando entraram o hotel estava deserto, os donos abandonaram-no, tinham fugido, certos de ter amealhado culpas no cartório a explicar ao povo explorado. Era, até à data, nada mais nada menos que o mais moderno hotel construido nas Caraíbas: o Hilton - tinha sido inaugurado seis meses antes com pompa e circunstância, com tudo o que era jet-set e máfia americana presente em grande festarola.

Acabou-se a festa, mas o ar coquete e descoroçoado da caçula Paris Hilton com as quebras no negócio, surpreendentemente (ou talvez não), uma por isto, outra pelo seu contrário, equivale-se ao ar desolado da Joana Amaral Dias quando vai atestar o depósito e não toma notas sobre as causas (nunca mencionadas) da bronca
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segunda-feira, maio 26, 2008

Maio 68 (II) Os novos partizans

o Maio de 68 não é um produto exclusivo made-in-Paris

Uma das reacções mais interessantes das que sobreviveram a 1968 foi a primeira comunicação da Comissão Trilateral, uma organização criada por Nelson Rockefeller integrando empresários globais, banqueiros, altos executivos de administrações politicas, ideólogos e teóricos da nova direita e dirigentes sindicais de marcado timbre anti-comunista, onde se refere “uma crise da democraciadevido à excessiva participação das massas. Os documentos do Pentágono que têm vindo a ser desclassificados traduzem a mensagem que, por medo do crescente mal estar dos cidadãos, o Governo se viu obrigado a pôr fim à guerra. Eles não estavam seguros que pudessem dispor de tropas suficientes para enviar para o Vietname e ao mesmo tempo reprimir os distúrbios na frente doméstica.

"todo o cabrão armado é um potencial assassino"

O mundo dos anos 60 é aquele que nasceu na segunda grande guerra mundial. Caracterizava-se pela rivalidade entre aquilo a que se chamou inapropriadamente os dois blocos: “o capitalista” e “o socialista” – quando na verdade a divisão dos despojos de guerra e a encenação subsquente, “a guerra fria”, havia sido prévia e minuciosamente concertada nas 14 cimeiras havidas entre Churchill (o império inglês em declínio), Estaline (o controlo estatal da produção capitalista) e Roosevelt (o capitalismo tout-court). Na verdade tratou-se de dividir a Europa derrotada ao meio: de um lado o Leste na órbita da URSS, do outro a parte ocidental cuja jurisdisção fica a cargo da colonização anglo-americana. Mas havia a França e o gaullismo que tinha a sua própria ideia sobre “descolonização”, a politica da "françafrique". (Mitterrand viria a ordenar uma intervenção do exército francês em 1994 apoiando o governo dos coronéis Hutus no Ruanda, que haveriam de proceder ao genocídio da facção oposta). Como é hoje evidente, a verdadeira guerra sem quartel tinha-se centrado na confrontação entre os países ricos do Norte e o hemisfério Sul dos países subdesenvolvidos, eufemisticamente baptizados como “países em vias de desenvolvimento”. Estas designações são totalmente impróprias para uns e outros: destinam-se a ocultar as relações de trocas desiguais impostas entre o centro e a periferia no sistema capitalista mundial.

Em 1964 Che Guevara discursava na ONU (coisa hoje impensável para qualquer representante de Esquerda), e defendia a exportação da revolução "Criemos um, dois, três, muitos Vietnames". O apelo parece resultar. Em 1968 sob o olhar atónito dos Situacionistas, Guy Debord vê desenhar-se "a revolução da vida quotidiana", Mick Jagger, participa numa manifestação em Londres contra a guerra do Vietname: "cause in sleepy London town theres just no place for a street fighting men" que se converte num hino da contestação. O surrealista Jean Paul Sartre, um admirador confesso da Revolução Cultural Chinesa (futuro director do jornal maoísta "Cause du Peuple") é recebido entusiasticamente na Sorbonne ocupada; John Lennon junta um milhão de manifestantes em Central Park e Nixon abre-lhe ficha no FBI. Revolução falhada ou movimento utópico (portanto inofensivo) olhado hoje com simpática nostalgia, a face folclórica do Maio 68 destinou-se a aniquilar aquele estado de coisas. O neoliberalismo, e o actual estado de coisas, não teria sido possível sem ele.
Uma das figuras mais emblemáticas que demonstra a verdadeira natureza do Maio 68 é Bernard Kouchner, na óptica burguesa ele fez o pleno: expulso do PCF, expulso do PS, apoiou a intervenção americana no Iraque e é actualmente ministro dos Negócios Estrangeiros de Nicolas Sarkozy – mas se uns estão aí, os outros também estão. Estaremos!

Dominique Grange : "1968-2008”… N’effacez pas nos traces !"

domingo, maio 25, 2008

em "Kamp", uma peça levada à cena no último fim de semana no CCB, a companhia holandesa pró-Sionista Hotel Modern procurou reencenar "a realidade histórica" (sic: ver vídeo). Um protótipo de Auschwitz em grande escala preenche o palco. Tenta-se imaginar o inimaginável: o maior extermínio em massa da história, cometido numa cidade construída para esse fim. O protótipo do campo é trazido à vida no palco: um portão onde se lê as palavras “Arbeit macht Frei” [O Trabalho Liberta]. Blocos prisionais superpovoados, uma estação de caminho-de-ferro; mais de três mil pequenas marionetas de três polegadas construídas à mão representam os prisioneiros e os carrascos, que se afadigam em enfiar corpos em fornos crematórios; Os actores movem-se pelo cenário como descomunais repórteres de guerra gigantes (a mentira elevada ao paradoxo), filmando os terríficos acontecimentos com câmaras em miniatura cujas imagens são projectados na parede de fundo; o público torna-se testemunha, num momento em que todas as testemunhas reais estão a desaparecer.












Como não sobra mais ninguém os ingénuos espectadores, comovidíssimos (pagaram 12,5 euros por cabeça para lhes alienarem a cuca), acreditam piamente na encenação. Nada de admirar, quando vimos críticos , sem nunca mencionar qualquer nome ou dado concreto, a escrever autênticas obras-primas de emoção fabricada ad nihil, embustes encomendados tão arrevesados como este. No colóquio final alguém pergunta: “então e durante esse período não se falava disso?” a actriz judia Arlène Hoornweg lá foi sussurando banalidades. Realmente a retórica da “shoa” não fez parte da agenda nem durante a carnificina geral que foi a segunda grande guerra, nem nas três décadas subsquentes em que as ruínas dos campos de trabalho, como Oświęcim na Polónia entre outros, foram administradas por detrás da Cortina de Ferro. Como se sabe o curador soviético de Auschwitz, o Dr. Franciszek Piper, produziu depoimentos no sentido de não existirem ali quaisquer câmaras de gaz e David Cole realizou um documentário após 12 anos de estudo provando que os individuos que dirigiram o “Museu Estatal de Auschwitztiveram práticas de fabrico de “provas” dos gaseamentos em massa”. Cole sob ameaças de morte do lobie judaico haveria de retractar, embora o “Relatório Leuchter” confirme a não existência de “genocídio deliberado”. Só a partir do fim dos anos 70 nos Estados Unidos com a administração Carter quando são despejados milhões no “Museu do Holocausto” em Washington o assunto adquire notabilidade mundial. Daí para a frente a estória também é conhecida: o “holocausto judeu” tem sido utilizado para extorquir indemnizações de guerra à Alemanha a favor de Israel (onde muitos enriqueceram com o negócio de reclamar dinheiro sem sequer terem estado presos), enquanto o espectáculo da vitimização encobre o outro genocídio levado a cabo por Israel sobre milhões de árabes na Palestina desde 1945. A afirmação é de um judeu norte-americano anti-Sionista: “A pior coisa que aconteceu aos judeus foi a colónia judia dos Estados Unidos ter descoberto o Holocausto". Afinal, até conservadores (mas não pró-israelitas) como o senador Pat Buchanan afirmam que os gaseamentos nazisnunca aconteceram “. A mentira não durará para sempre.

Morreram mesmo 6 milhões?

O censo da população judaica de 1931 na Polónia fixou o número de judeus em 2.732.600 (Reitlinger, Die Endlösung, p. 36). Reitlinger diz que pelo menos 1.170.000 destes estavam na zona de ocupação russa no Outono de 1939, e que mais ou menos 1 milhão dos quais foram evacuados para os Urais e Sibéria do Sul depois da invasão alemã em junho de 1941 (ibid. p. 50) Conforme descrito acima, um número estimado de 500.000 judeus emigraram da Polónia antes da guerra. Além disso, o jornalista Raymond Arthur Davis, que passou a guerra na União Soviética, observou que aproximadamente 250.000 já tinha fugido da Polónia ocupada pela Alemanha para a Rússia entre 1939 e 1941 e que podiam ser encontrados em qualquer província soviética (Odyssey Through Hell, N.Y., 1946). Subtraindo tais números do total de 2.732.600, e considerando o crescimento normal da população, não mais que 1.100.000 judeus polacos poderiam ter ficado sob o controle alemão ao final de 1939 (Gutachten des Institus für Zeitgeschichte, Munich, 1956, p. 80). (ver fonte)

Walter Sanning (em “The Dissolution of Eastern European Jewry”) coloca o número total de judeus mortos em cerca de 300.000, enquanto Wolfgang Benz apresenta actualmente uma perda de cerca de 6 milhões de judeus vitimas do “holocausto”.
O trabalho de Sanning brilha pelo vasto material sobre a fuga e deportação dos judeus em direcção ao leste na ocasião do início da guerra alemã contra a Polónia, e depois contra a União Soviética. O facto de milhões de judeus terem emigrado para os EUA, Israel e outros países, é ignorado por Benz. Contam todos como "mortos". (ver fonte)
Noutro país, Carl O. Nordling aponta num estudo sobre o tema, que a maioria dos judeus deportados de França não eram judeus franceses, mas na sua maioria – 52.000 pessoas – refugiados do Nacional-Socialismo que procuraram abrigo em França e eram provenientes da Alemanha, Áustria, Checoslováquia, Polónia e também dos Países-Baixos. O governo colaboracionista de Vichy concordou em deportar estas pessoas que não eram francesas ou que acabaram por receber a nacionalidade francesa. A grande maioria dos judeus franceses não foi nem sequer deportada
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sábado, maio 24, 2008

made in Spain, Ibéria

a propósito desta inóqua notícia (clique aqui para ampliar e ler o texto completo) veiculada na imprensa nacional onde os criminosos não têm nome nem morada, a Greenpeace levou a cabo esta acção cívica contra a empresa espanhola Expal, fabricante deste tipo de material de guerra. Em Dezembro último o jornal espanhol El Publico reportou o escândalo:

fabricamos - vendemos - damos assistência pós venda

Duas empresas espanholas fabricam bombas de fragmentação. Este tipo de armas podem causar danos várias décadas depois do seu lançamento, como foram os casos do Vietnam, Laos e Cambodja. Hoje em dia Portugal e Espanha assumiram compromissos no âmbito da NATO para enviar tropas para o Líbano, país onde uma das principais tarefas destas forças é procurar limpar milhares de toneladas destas bombas, que não explodiram, que foram despejadas em 2006 durante os ataques efectuados por Israel. (ver esquema explicativo e ler mais aqui)

sexta-feira, maio 23, 2008

encha o depósito, pague a guerra

o problema dos preços elevados dos combustíveis não resulta apenas de impostos altos, mas sim do facto de as petrolíferas cobrarem preços exorbitantes (...) obtendo lucros elevadíssimos. Apoiado no estudo de Eugénio Rosa "porque sobem os preços dos combustíveis" no Resistir.info:

Em Portugal, não existe concorrência pois os preços praticados pelos diferentes vendedores são praticamente sempre iguais), mas será ainda mais surpreendente, e prova da conivência deste governo com os grandes grupos económicos petrolíferos.
No debate na Assembleia da República realizado em 30/04/2008, Sócrates, após os preços terem aumentado 18 vezes só em 2008, e perante a pressão da opinião pública, como se tivesse sido surpreendido pela primeira vez por tal situação, afirmou que o governo mandara a Autoridade da Concorrência investigar a formação dos preços dos combustíveis. O ministro da Economia, que anda normalmente cego para situações desta natureza como se não tivesse nada a ver com o que se passa no sector de que é responsável há vários anos, também mandou investigar se eventualmente há factores que não decorrem do aumento dos custos de produção que possam estar na origem dessas subidas de preços" - Cavaco Silva ficou muito contente com a decisão de se mandar investigar.
Nós, o povo em geral, que há vários anos sabemos o que são “investigações” em Portugal podemos desde já afirmar de antemão - todos os três mentem com quantos dentes têm na boca! (e num caso particular, quem não o conhecer que o compre, com restos de bolo rei ainda encravados nas gengivas): na verdade existe um acordo encapotado concertado com os monopólios da Energia e da Finança globais para que sejam os consumidores a pagar os custos agravados pela guerra das novas condições de exploração capitalista, retirando os governos a sua parte de leão sobre a forma de impostos e revertendo os lucros exorbitantes dos monopólios das empresas petrolíferas para fundos de investimento para controlo das áreas ocupadas sob juridisção militar.
Levando em linha de conta o que se diz no post anterior e as condições extremas em que se desenrolam as operações, basta olhar para o mapa para entender o que se passa em termos de investimento naquelas que são comprovadamente as segundas maiores reservas de crude do planeta. Quanto a nós, meros consumidores espoliados da cidadania, há sempre uma crise oportuna criada artificialmente (como a de 1929 ou 1973) para nos condenarem a pagar a ultrapassagem das vicissitudes do sistema.

A economia sempre foi isto: a gestão de bens que são escassos.
O dilema europeu é grave: ou se opta pela greve ao consumo prescindindo prioritariamente do automóvel (missão quase impossivel nas actuais condições civilizacionais) ou se opta pelo Socialismo e pela bicicleta, criando colectivamente alternativas - mas o mais lógico é que o dilema se converta num trilema, e que terceiros alheios aos tiques consumistas do Ocidente venham a resolver meter o bedelho na questão - e aí teremos o remédio do costume: a guerra generalizada, após a qual nada ficará na mesma. Nem as bicicletas
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quinta-feira, maio 22, 2008

efeméride

Passa hoje na história, 22 de Maio, o 3º aniversário do anúncio da decisão das "autoridades invasoras norte americanas" concentrarem as tropas em quartéis de carácter permanente. Primeiro anunciaram 4 mega-bases, fundamentando a decisão numa estratégia de enfrentarem uma guerra prolongada, mas na realidade foram construídas 14 Bases com carácter definitivo, além da mastodôntica embaixada em Bagdade - embora Washington continue a recusar admitir que as bases são permanentes e os cínicos três estarolas que concorrem à presidência continuem a falar em prazos de retirada de tropas - os biliões de dólares investidos nestes projectos desmentem-nos por si na intenção de declarar o Estado Iraquiano como uma mera aglomeração de consumidores de bombas de exportação e produtos afins (tais como chorudos investimentos fraudulentos)

Mas de facto a melhor "comemoração da liberdade" trazida à nova democracia foram os festejos do exército americano quando resolveram bombardear um hospital na cidade de Hilla. Não há razão para preocupações - no novo código legislativo da Babilónia a justiça impera - então para ressarcir os prejuizos causados pelo bombardeamento por engano a tesouraria yankee (money is no problem) dispôs-se a desembolsar 6.500 dólares a título de reparação.
O "chairman" da Comissão de Saúde e Desenvolvimento para o Iraque, Mostafa al-Hiti, achou pouco, queixando-se que a verba eram amendoins insuficientes para cobrir a reparação das instalações. Mas pior parecem estar as vítimas atingidas pelo “misfire”, a quem foram dados (e se continua dar) 100 dólares por cada família que tenha feridos ou mortos nos azarentos danos colaterais causados. (fonte)

Porém nem tudo nesta história terá de ser necessariamente triste. A partir de agora as vítimas já têm onde gastar o dinheiro ganho com os bombardeamentos - um grupo de empresários anunciou em Abril a intenção de construir uma Disneylândia em Bagdade - Um negócio bom para o José Lamego montar lá uma barraquinha...

adenda:
a refutação que a "embaixada do iraque" (que não do povo iraquiano) em Lisboa faz das decisões condenatórias do Tribunal Mundial do Iraque é deveras patusca: "a expansão do fenómeno do terrorismo através de grupos de terroristas denegriram a imagem de soberania do Iraque" - humm!, estará sua excelência a referir-se aos grupos de intervenção armada das forças de ocupação?
(para ler aqui)

quarta-feira, maio 21, 2008

a hipocrisia da defesa do ambiente vs Petróleo

Medido em combustíveis do tipo etanol, um vôo de Londres a Nova Iorque, requer a exploração agrária durante um ano de uma área de cultivo de pelo menos trinta campos de futebol – óptimo!, diz o comediante Stephen Colbert, “assim enquanto vôas sobre o Atlântico, ao mesmo tempo, vais destruindo essa porcaria do vício da bola

A televisão do Estado vai lançar a série “Desafio Verde” em contraponto com o alarmismo promocional das catástrofes naturais, a Time faz uma dramática capa apelando à salvação do planeta, cá pelo burgo no dia da Terra por toda a imprensa os apelos generalizados aos investimentos na ecologia foram pungentes; o ex-ministro Carlos Pimenta tem em construção a “autoeuropa do vento” (não temos petróleo, temos vento, disse recentemente Sócrates, enquanto as “grandes obras do regime” que nada têm a ver com a defesa do ambiente prosseguem a bom ritmo); até o futuro “magnifico êxito” de marketing comercial da famosa dupla Brightman-Bocelliguarda-me In Questa Terra” se relaciona com a preocupação do professor Galopim dos Dinossauros avisando que a presença do homem na natureza é tão extraordinariamente curta e insignificante que é passivel de erro e extinção; (que original!: o nóbel Günther Grass disse o mesmo há 30 anos no romance “a Ratazana”); e até o Homem Aranha publicado em banda desenhada tem preocupações com as nóveis acções das empresas ambientais em Wall Street. No futuro as “eco-comunidades” encarceradas em “eco-cidades”, controladas economicamente, pouco ou nada se poderão mexer (os frangos de aviário são mais livres porque não pagam impostos, ou por outra, pagam com a vida quando os matam e depenam com água a escaldar), enquanto os investidores e governantes andarão cada vez mais em Falcons privados. Certo? então, mais dada ao regozijo reanimador das Bolsas com a descoberta de novas fontes de petróleo para a Galp no Brasil, sem hipocrisia, nua e crua, o que faz a organização fiscalizadora do Estado?

A junta de freguesia da Ericeira foi multada pela organização terrorista ASAE por utilizar óleo reciclado nos seus veículos de recolha do lixo. Na verdade terrorista porque a antiga Inspecção Geral das Actividades Económicas IGAE, militarizada e travestida em ASAE, transformou-se numa policia de choque da defesa dos direitos de propriedade industrial, marcas e patentes – e destruirá tudo o que não diga respeito aos grandes negócios exclusivos das empresas multinacionais. A Junta da Ericeira há anos que faz a recolha dos óleos usados, mas a produção do biocombustível não está licenciada apesar das várias tentativas feitas pela junta - quer dizer, dos biocombustíveis existentes, um dos poucos que não devia ser proibido ou alvo de penalizações era este. Milhares de litros de óleos usados são despejados nos esgotos, poluindo as águas freáticas e alastrando mar adentro por longos anos. Promove-se o uso das terras agrícolas para alimentar os carros e multam-se aqueles que querem reduzir a dependência das energias fósseis, em vez de lhes propiciar assessoria e ajuda técnico-financeira. As politicas irracionais seguidas de auto financiamento por objectivos das entidades fiscalizadoras faz-nos desconfiar da bondade das orquestradas campanhas mediáticas globais em curso pela “revolução ambiental”. Além do mais, essa promoção tem estado a ser paga e levada a cabo pelas companhias petrolíferas, identificadas como as maiores poluidoras de sempre ( o crude tem dupla personalidade)

terça-feira, maio 20, 2008

O Criminoso e as Forças Produtivas

o DN entrevistou Luis Campos e Cunha (sem link, para que ninguém desconfie que) o ex-governante é um “crítico do custo das grandes obras". Para ele, Portugal deveria ter outras prioridades, acrescentando que “o Governo erra quando dá por adquirida a consolidação das contas públicas”. Efectivamente continua-se a gastar mais que aquilo que se produz, o que levará a velhas e novas formas de endividamento que as gerações vindouras estão condenadas a pagar; condenadas à nascença ao esclavagismo tributário para pagar lucros imediatos de projectos estranhos às nossas necessidades.

Mas as coisas são o que são; um construtor produz obras, e se estas são efectuadas segundo os interesses específicos de uma ínfima parte da sociedade, estamos em presença de um crime de lesa património que se exerce sobre a grande maioria da população.

"Um filósofo produz ideias, um poeta versos, um padre sermões, um professor manuais etc. Um criminoso produz crimes. Se considerarmos um pouco mais de perto a relação que existe entre este ramo da produção e o conjunto da sociedade, revelaremos muitos preconceitos. O criminoso não produz apenas crimes, mas ainda o direito penal, o professor que dá cursos sobre o direito penal e até o inevitável manual onde esse professor condensa o seu ensinamento sobre a verdade. Há, pois, aumento da riqueza nacional, sem levarmos em conta o prazer do autor.
O criminoso produz ainda a organização da polícia e da justiça penal, os agentes, juízes, carrascos jurados, diversas profissões que constituem outras categorias da divisão social do trabalho, desenvolvendo as faculdades de espírito, criando novas necessidades e novas maneiras de satisfazê-las. Somente a tortura possibilitou as mais engenhosas invenções mecânicas e ocupa uma multidão de honestos trabalhadores na produção desses instrumentos.
"O criminoso produz uma impressão, que pode ser moral, ou trágica; desta forma ele auxilia o movimento dos sentimentos morais e estéticos do público. Além dos manuais de direito penal, do código penal e dos legisladores, ele produz arte, literatura, romances e mesmo tragédias. O criminoso traz uma diversão à monotonia da vida burguesa, defende-a do marasmo e faz nascer essa tensão inquieta, essa mobilidade do espírito sem a qual o estímulo da concorrência acabaria por embotar.
O criminoso dá, pois, novo impulso às forças produtivas
..."
(Karl Marx)

segunda-feira, maio 19, 2008

os executivos da Corporação Internacional Financeira

a "pergunta do João" - "o que pensa fazer pelo país sr. presidente?" - deixa qualquer governante encavacado, a coisa não era realmente de resposta fácil. O que se poderá fazer a partir do que já se fez? (incluindo ele próprio enquanto governante?)

os Cristãos Novos e décadas de especulação imobiliária

Quando em 1996 Jorge Sampaio deixou a Câmara de Lisboa e chegou a presidente da república, havia grande burburinho na cidade sobre a interferência do Estado no congelamento das rendas que distorcia o mercado de arrendamento transformando os proprietários em almofada social, cabendo-lhes assegurar forçosamente a eles próprios a função do Estado, (“Há duas formas de destruir uma cidade: despejando-lhe bombas, ou congelando as rendas”, dizia Ferraz da Costa) enquanto os inquilinos lucravam com a casa alheia e enriqueciam com as rendas baixas e belos carros à porta.

Por outro lado os senhorios carpindo-se do empobrecimento causado aos proprietários imobiliários pela Lei 2030 de 1948, queixavam-se de este ser “o século do furto” auto apelidando-se de “cristãos-novos” (sic) clamando que “cem anos de congelamento de rendas urbanas, comerciais e industriais assustavam a iniciativa privada; o património degradava-se e estava-se em pleno regime de imobiliaridade”; vítimas do “gonçalvismo” (20 anos depois da inflação alta que forçava a venda e dos escassos três meses que o ex-ministro esteve no poder); do “pintassilguismo latente” (Decreto Lei 519/79); do “guterrismo” em 1997 que teria “dado o golpe de misericórdia na actividade”) e etc. desse tipo de coisas por ai fora. A partir de 1998 com João Soares começa a gloriosa campanha para compra de casa própria (metade do custo das casas vai para impostos directos e indirectos, DN 17/5/2004). De forma concertada os Bancos criam a “bolha imobiliária” incentivando crédito a juros artificialmente baixos (como Greespan ensinou). Apesar dos avisos, um belo negócio para extorquir incautos – cada xico-experto a nivel individual livra-se do senhorio parasita, e passa a pagar chorudas rendas (mais juros) à Banca.

Entretanto o Portugal integrado na União Europeia é obrigado a aderir à “Union Europénne des Promoteurs Construteurs” e “toda a propriedade deixa de ser um roubo” submetida à “ditadura do proletariado”, cujas imagens só se desenham dentro dos cérebros-ervilha das alimárias adeptas da desregulamentação selvagem liberal. Finalmente, com o “Livro Branco sobre a Propriedade Imobiliária e o Direito de Propriedade na Europa”, não existindo salvaguarda social do preço dos solos, os grupos de interesses usufruem da defesa do direito de propriedade dentro da livre economia de mercado em plena liberdade contratual – e que fizeram os proprietários e senhorios?, venderam por grosso a propriedade a grupos espanhóis e outros estrangeiros que hoje detêm a hegemonia quase total do mercado. (que desapareceram com os lucros e investem agora menos que metade que o ano passado)

Como dizia o camarada Ferraz da CIP, isto só à bomba!

A Amorim um dos maiores grupos nacionais (Imobiliária Inogi) dispunha em 1997 de 250 mil metros quadrados para construção. A massificação da construção (para ricos) na cidade não parou de aumentar. Construiu-se em Portugal (Lisboa serve de modelo, o resto é a mesma paisagem) o dobro que em Espanha e Inglaterra. Com pouco mais de 9 milhões de habitantes temos fogos construidos para alojar 25 milhões de pessoas. O excesso de construção como está à vista na presente crise revela-se um flop. Em Lisboa continua a haver meio milhão de casas antigas desocupadas e os pobres continuam a ser expulsos para a periferia, Sócrates anuncia o “plano tecnológico” (mais picareta nas obras públicas e a Somague, Mota/Engil &Companhia como motor de desenvolvimento) e a especulação privada centra-se no mercado ibérico de segunda habitação (novamente resorts para ricos) e nos projectos imobiliários da hotelaria.

Uma década depois de ter tomado posse, quando Jorge Sampaio transmitiu tranquilamente o poder ao Cavaco, tinha-nos legado um país infinitamente em piores condições do que aquele que tinha recebido em 1996. Até ele próprio o vê!. Mas na véspera de abandonar Belém num acto derradeiro do seu desempenho Jorge Sampaio (assinar despachos em vésperas de saída é prática comum e salvaguarda o sucessor do odioso de medidas impopulares) ainda promulgou a chamada Lei do Arrendamento Urbano, cuja mais que provável consequência (a par com a crise do crédito subprime e alimentar) é lançar em profunda angústia ou no desespero milhares de famílias portuguesas. “Das camadas mais envelhecidas e mais pobres, mas também, pelo menos em larga parte, de segmentos que até agora ainda não teriam as vidas arruinadas. Mas irão tê-las a partir do momento em que forem despejados das casas onde custosamente foram construindo as suas existências. A menos que consigam salvar os seus lares pelo preço de passarem alguma fome e de espaçarem suficientemente as suas idas à farmácia. Por exemplo. Estes dois actos do Senhor Presidente (o outro, como bem nos lembramos, foi contribuir com copiosas medalhas em peitos de elevada robustez financeira), o da luz verde ao despejo de milhares de portugueses que até há relativamente pouco tempo mantinham a ilusão de terem pelo menos um lugar onde esperar o fim”. Como notava premonitoriamente Correia da Fonseca em Fevereiro de 2006 no saudoso Notícias da Amadora. Agora que a presença do senhor Presidente Sampaio já enfunou as velas para longe “será ocioso discorrer muito acerca da terrivel opção que de facto ele fez em favor dos ricos e a desfavor dos pobres”. Mas não é gratuito.

Ele não sabia?, então o socialista e alegado “cristão novoJorge Sampaio, depois de uma década de alienação de património social, não deixa nada de positivo? Deixa sim! Deixa um “Monumento à Especulação Imobiliária” na forma de nome de rua, numa zona nobre, precisamente aquela que inaugurou a construção para ricos: em Telheiras a Rua do judeu “Moses B. Amzalak” um retinto fascista que, como no seu sitio internete diz dele a própria comunidade israelita de Lisboa: “terá sido uma reflexo, na vida da nossa Comunidade, do que se passou na vida política de Portugal em que Salazar permaneceu no poder cerca de 40 anos”. Este é um bom exemplo do uso abusivo que se faz das palavras consubstanciado na leitura que a Comunidade Israelita de Lisboa faz na biografia do pró-nazi Amzalak ex-director de “O Século” branqueando a ditadura fascista. Como se não nos bastasse já ter a Banca de índole judaica à perna, ainda temos de escrever o nome destes gajos nos envelopes de correio. Por acaso não há por aí vergonha na cara ou a possibilidade de uma Lei de Memória Histórica que nos evite o incómodo?
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